MIRRORCITIES - LISBOA.TOKYO

[English version below]


O mirrorcities nasceu da vontade de continuar as nossas colaborações quando uma de nós regressou ao Japão para desenvolver uma pesquisa com o apoio da Fundação Oriente.

A ideia do projecto era muito simples: cada uma tiraria uma fotografia na sua cidade sobre um tema específico e todos os dias publicaríamos essas duas imagens num blogue. Procurávamos então apenas manter um contacto diário, habituadas que estávamos ao convívio quotidiano das mesas partilhadas do atelier. A procura das imagens quotidianas obrigou-nos a desenvolver um olhar atento aos pequenos pormenores que melhor retratassem a vivência de cada uma das cidades. Para ambas tornou-se um exercício diário e estimulante, que nos levou a descobrir aspectos destas duas cidades que ambas conhecíamos e adorávamos.

O blogue começou a ultrapassar a nossa esfera meramente pessoal, tendo sido surpreendidas pela muito boa recepção desta ideia junto de amigos e desconhecidos que foram encontrando o nosso site. Gostámos de sentir que as imagens diziam algo a todos os que nos visitavam.

O projecto manteve-se durante cerca de 5 meses, perfazendo um total de 150 dípticos, mas o fim estava anunciado com a conclusão da estadia da correspondente de Tóquio.

E o que mostram estas fotografias? Antes de mais, dois olhares profundamente pessoais e indissociáveis da personalidade de cada uma de nós. De nenhuma das cidades se procurou obter um retrato fiel, ou realista mas antes impressionista e particular. E, no entanto, a abrangência dos temas diários permitiu criar uma imagem paralela destas duas cidades em pontos opostos do globo, nos seus contrastes e nas suas semelhanças.

Que semelhanças há entre Lisboa e Tóquio? Que diferenças?

Lisboa e Tóquio talvez sejam semelhantes quando se usa o metro, quando nos sentamos num banco ao ar livre, quando se olha para um menu exposto junto à entrada de um restaurante informal, quando compramos algo numa lojinha de bairro, quando se observam as crianças com os seus bibes ou as suas fardas escolares azuis, nas suas brincadeiras, o ambiente cultural dos museus, o intricado dos fios eléctricos imprescindíveis, os casais passeando de mão dada.

Mas Lisboa e Tóquio são diferentes no modo de fazer publicidade, no uso do espaço de dormir, nas tradições ligadas ao vestuário, nos materiais de construção das habitações, no modo como se come e o que se come, nos costumes tão díspares como o descalçar dos sapatos, nos espaços religiosos e nas respectivas tradições e cerimónias como o casamento.

Há semelhanças afectivas, como os corvos, que se transformaram no símbolo da cidade de Lisboa e são uma presença constante nos jardins de Tóquio.

São também semelhantes a alegria dos dias de lazer junto à água, tanto nas nossas praias de areia branca como nos passeios de barco sob as árvores em flor, ou os tapetes de flores no chão, branco rosado de cerejeira em Tóquio e lilás de jacarandá em Lisboa.

Tóquio tem a imagem de uma cidade ultramoderna, em constante mutação, ao contrário de Lisboa, que espelha ainda uma aura histórica e tradicional. Mas ambas não se podem reduzir a uma caracterização tão simplista: enquanto na capital japonesa ainda são visíveis costumes e tradições herdadas de uma cultura muito forte e milenar, Lisboa, por seu lado, abre-se cada vez mais para o futuro.

Nesta reflexão fotográfica sobre o dia-a-dia destas cidades geograficamente tão distantes destacam-se sobretudo os muitos elementos do quotidiano que nos são comuns. Mas as diferenças existem, e este confronto é enriquecedor, pois permite-nos, em simultâneo, questionar, definir e alargar os horizontes do “nosso”mundo.


Para nós, o mirrorcities é fundamentalmente uma celebração da riqueza visual das duas cidades e da nossa amizade.

Sara Lopes Godinho & Patrícia Chorão Ramalho

[EN]


The mirrorcities project was born of the wish to continue working together when one of us returned to Japan to carry out research supported by the Fundação Oriente.

The idea behind the project was very simple: each of us would take a photograph on a specific theme in their respective city, and every day we would publish both images on a blog. At the time, we were just trying to keep in touch with each other on a daily basis, as we were so used to sharing tables in the workshop. The search for everyday images forced us to develop an eye for the small details that best sum up living in each of the cities in question. For both of us it became a stimulating daily exercise, which led us to discover new aspects of these two cities that we knew and loved so much.

The blog began to extend beyond our merely personal sphere; we were surprised at just how well the idea was received by friends and others who came across our site. We liked feeling that the images were saying something to all those who visited us.

The project continued for around 5 months and comprised a total of 150 diptychs, but the end came when the Tokyo correspondent’s time there was over.

And what do these photographs show? Above all, two profoundly personal views, inseparable from our respective personalities. We did not try to capture a faithful or realistic portrait of either of the cities but rather an impressionistic and private one. However, the comprehensive nature of the daily themes allowed us to create a parallel representation both of these two cities on opposite sides of the globe and of their contrasts and similarities.

What similarities are there between Lisbon and Tokyo? What differences?

Perhaps we can say that Lisbon and Tokyo are similar when we are on the underground, when we are sitting on a bench in the open air, when we look at a menu at the entrance of a simple restaurant, when we buy something in a local shop, when we see the children playing in their pinafores or blue school uniforms, the cultural atmosphere of the museums, the intricacy of essential electrical wiring, couples strolling hand in hand.

But Lisbon and Tokyo are different in the way that advertising is done, in the use of sleeping space, in the traditions relating to clothing, in the materials used for building homes, in the way of eating and what is eaten, in the customs as disparate as the taking off of shoes, in the religious places and in the respective traditions and ceremonies such as weddings.

There are affective similarities like the crows that have become a symbol of the city of Lisbon and are a constant presence in the gardens of Tokyo.

Also similar is the joy of days spent by the water, both on our white-sand beaches and on the boat rides under trees in blossom, or the carpets of flowers covering the ground: the pink-tinged white of the cherry tree in Tokyo and the lilac of the jacaranda in Lisbon.

Tokyo has the reputation of being a constantly changing, ultra-modern city, unlike Lisbon, which still has an historic and traditional aura. But neither of them can be reduced to such simplistic characteristics. While in the Japanese capital we can still see customs and traditions inherited from a strong, millennial culture, Lisbon is increasingly opening itself up to the future.

In this photographic reflection on the day-to-day life of these cities that are so far apart geographically, what stands out more than anything are the many details of everyday life that are common to both. But differences exist, and this comparison is enriching since it allows us to simultaneously question, define and widen the horizons of ‘our’ world.

For us, mirrorcities is fundamentally a celebration of both the visual richness of the two cities and of our friendship.


Sara Lopes Godinho & Patrícia Chorão Ramalho

2 comments:

catarina said...

Parabéns pela vossa amizade.Mais parabéns pela vossa viagem fotográfica em espelho. Em pouco tempo fez-me viajar ao mesmo tempo por duas cidades tão distantes.
Uma ideia tão simples com uma concretização tão bem sucedida e um efeito único em quem assiste.
Foi lindo!

Nuno-san said...

Olá,
Vivo em Tóquio há mais de dois anos. Tal como vocês, sou fascinado por esta cidade e país.
A vossa ideia está fantástica e genial... Parabéns!
Se precisarem algo de Tóquio, não hesitem em me contactar.
Cmpts,
Nuno